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Gui Santos faz balanço da temporada, exalta Oscar Schmidt e garante irmão na NBA nos próximos anos

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Gui Santos fala sobre importância de Oscar Schmidt, irmão na NBA e exalta Steve Kerr: 'Gostaria de ser treinado por ele por toda a minha carreira' (5:21)

Brasileiro concedeu entrevista coletiva dias após eliminação dos Warriors na temporada (5:21)

A temporada 2025-26 do Golden State Warriors terminou na sexta-feira ao ser derrotado pelo Phoenix Suns no play-in da NBA.

Assim, o único jogador brasileiro em atividade na liga também entrou de férias. Mas apesar da eliminação, com muito o que comemorar. Gui Santos teve seu grande ano de afirmação nos EUA, e virou peça fundamental nos Warriors. Como é tradição na NBA, todos os jogadores da equipe concederam uma entrevista coletiva de fim de temporada.

"Foi uma temporada bem complicada, com muitas adversidades. Mas ao mesmo tempo tempo, pelo lado pessoal, foi boa para mim, tive oportunidade de crescer. Quando a oportunidade apareceu para mim, estava pronto para trabalhar no meu jogo e mostrar o que posso fazer", analisou Gui.

O crescimento do ala brasileiro chegou na segunda metade de 2025-26. Com as lesões de Jimmy Butler, Moses Moody, e as saídas de Jonathan Kuminga e Buddy Hield, Gui foi rapidamente alçado a titular no final de janeiro. Nos 32 jogos finais da temporada, teve médias de 15,2 pontos, 5,6 rebotes, 3,8 assistências e 1,4 roubo de bola.

"Acho que minha memória favorita do ano, estava até falando com os treinadores, foi quando estávamos em Phoenix, no jogo logo depois da trade deadline. Foi um jogo especial, fiz a bandeja que nos deu a vitória, estava 97 a 97, depois ficou 99 x 97 para nós", relembrando do quinto jogo dessa sequência de grande protagonismo na equipe.

"Quando Steve (Kerr) desenhou uma jogada para mim pela primeira vez, pensei "Caramba, as coisas estão diferentes agora. Tipo, agora não sou só mais um cara da correria e da energia". Ele desenhou a jogada "Gui, você pega a bola e faz o pick and roll". Esse foi meu momento favorito, em que percebi que meu papel tinha mudado no time."

Mais que os números, Gui desenvolveu um grande papel dentro da equipe. Desempenhando inúmeras funções, tanto ocupou o espaço deixado por Jimmy Butler como um segundo jogador próximo à cesta, marcando e puxando a marcação dos adversários mais altos, quanto precisou ser carregador de bola da equipe em diversos momentos.

As novas habilidades mostradas em quadra, aliadas às características de outrora, como boa defesa coletiva, disputa por cada bola e muita energia em quadra, rapidamente o deixaram nas graças da torcida e dos companheiros. Não à toa, os Warriors foram rápidos em garantir a renovação de Gui por três temporadas e 15 milhões de dólares. Uma notícia excelente para quem ficou perto até de sair da NBA no começo da temporada, mas que pode ser considerado um valor muito baixo se Gui continuar a desempenhar como nos últimos 30 jogos do ano.

No primeiro jogo do play-in, contra o LA Clippers, Gui mostrou que também pode ser muito importante em momentos decisivos: foram 20 pontos, 6 rebotes e 5 assistências e uma atuação de gala no último período, durante a virada da equipe.


Independente do custo benefício para a franquia, Gui está satisfeito. Afinal, 15 milhões de dólares são 15 milhões de dólares. Mas com os holofotes voltados em sua direção, agora ele vislumbra se tornar um jogador ainda mais completo.

"Isso, é claro, nos deixa mais estáveis, mas ao mesmo tempo, eu sou o tipo de cara que sempre quer mais. Então agora que tenho estabilidade, preciso ajudar mais o time do que fiz nessa temporada. Pra mim vai ser um verão de muito trabalho, tenho muitas coisas para melhorar, várias coisas que preciso dar mais para o time, porque agora meu papel mudou um pouco."

Nos últimos 32 jogos, em que chegou até a conseguir 31 pontos em uma partida, Gui teve altos e baixos em termos de aproveitamento. As média foram de 34,8% nos chutes de três pontos, e 74% nos lances livres, números baixos para a posição.

Por isso, estes foram os objetivos traçados pelo brasileiro para trabalhar nos próximos meses até o início da próxima temporada, em outubro.

"Defesa, ser mais agressivo e continuar trabalhando nos meus arremessos de lances livres. Posso ter um aproveitamento melhor na próxima temporada. Nos três pontos também, ser mais consistente. Ter consistência toda noite, chutar mais toda noite", avaliou. "Cresci jogando no basquete FIBA, e lá, assim, não existem algumas marcações (de falta) que têm na NBA. Então eu não sou acostumado a aproveitá-las. Essa foi a primeira temporada que tive a oportunidade de ter a bola na mão, agredir um pouco mais. Então pretendo trabalhar um pouco mais nisso, depender menos dos caras ao meu redor pra arremessar e ir mais para a cesta, ter mais disso".


Apesar do bom momento de Gui, a eliminação precoce dos Warriors pode representar um fim de ciclo na franquia. O técnico Steve Kerr deu indícios ao longo da temporada de que não continuaria na beira da quadra do time tetracampeão na última década. Após a derrota para os Suns, despistou sobre o futuro. Disse, porém, que 'trabalhos têm prazo de validade', além de ter agradecido a Stephen Curry e Draymond Green, ainda na quadra, pelos anos de parceira.

Quesitonado sobre Kerr, Gui Santos, que só foi treinado por ele nos três anos de carreira na NBA, rasgou elogios ao técnico.

"Steve é um cara especial para mim. Ele foi o técnico que me deu a primeira oportunidade de jogar na NBA. Ele realizou meu sonho, é parte enorme nisso. Uma coisa que sempre gostei, é que ele foi jogador e agora é treinador. Então ele entende os jogadores muito bem. O fato dele ter sido jogador por um longo tempo na NBA, ele realmente entende tudo que os jogadores passam.

Adoro isso, ele é muito, muito especial para mim, gostaria de ser treinado por ele por toda a minha carreira, se pudesse".


Poucos dias após a morte de Oscar Schmidt, Gui falou sobre a relevância do astro brasileiro, que faleceu aos 68 anos na sexta-feira (17).

"Oscar muito importante para o Brasil, ele significava muito para todo mundo, porque acho que ele colocou o Brasil no mapa quando falamos de basquete. Ninguém conhecia o Brasil por causa do basquete antes dele, era só pelo futebol."

A fala de Gui gerou algumas reclamações nas redes sociais, uma vez que quando Oscar começou a jogar, o país já era bicampeão mundial (1959 e 1963) e três vezes medalhista olímpico (bronze em 1948, 1960 e 1964), na geração de Wlamir Marques e Amaury Pasos.

O ala dos Warriors, contudo, fez questão de ressaltar os números superlativos de Oscar ao longo da carreira.

"Mas aí Oscar chegou nas Olimpíadas, marcou 45, 50 pontos, 40, 50, 55...o fato dele ser o segundo maior pontuador na história do basquete, ele está apenas atrás do LeBron, fala muito sobre ele. Oscar, o "Mão Santa", como é conhecido no Brasil, é muito, muito importante para os brasileiros, tudo o que se fala no Brasil agora é sobre o Oscar. Ele tinha um impacto enorme para a gente, é como o Pelé do basquete para nós. Foi muito difícil para todos que amam o basquete no Brasil. Oscar é realmente o maior ídolo na história do basquete brasileiro. Ninguém será como ele novamente."


2025-26 foi a temporada de maior presença de Gui em quadra. Foram 68 partidas em toda a fase regular, contra 56 em 2024-25 e 23 em 2023-24. A minutagem, que fora de 192 e 762 minutos nos anos anteriores, duplicou: 1.395 minutos dele em quadra, sem contar o play-in.

Chegando a 147 jogos, Gui se tornou o 7° brasileiro com mais partidas na NBA, atrás de Nenê Hilario (965 jogos), Leandrinho (850), Anderson Varejão (632), Raulzinho (435), Tiago Splitter (355) e Cristiano Felício (252).

Mas para superar o começo mais difícil após ser draftado na 55ª escolha em 2022 e passar um bom tempo sem fazer parte da rotação, Gui recebeu a ajuda dos seus antecessores. Primeiro, ressaltou a importância de ter jogado ao lado de Leandrinho no NBB pelo Minas Tênis Clube.

Depois, já na NBA, foi a vez de estreitar ainda mais laços com Anderson Varejão, de passagem rápida pelos Warriors, além de muitos anos pelo Cleveland Cavaliers.

"Falei muito com ele, e ele sempre falou sobre como no começo da carreira ele não jogava muito. Mas aí ele começou a ter oportunidades de jogar e provou que poderia jogar, poderia ajudar o Cleveland, na época. E ele virou um ídolo lá. Aí ele veio pra cá, jogou um ano aqui", contou.

Gui também fez questão de ressaltar os feitos de Tiago Splitter no Portland Trail Blazers, e pediu por mais brasileiros na liga.

"Aprendi muito com o Tiago Splitter também. Ele é o primeiro brasileiro a treinar um time da NBA. Primeiro técnico do Brasil a chegar nos playoffs. Estou muito orgulhoso do que o Brasil está fazendo agora na NBA. Espero que possamos ter mais jogadores nos próximos anos. Vocês vão ver meu irmão aqui em alguns anos também, esse é o objetivo. Isso é incrível."

Irmão de Gui, Edu Santos está com 16 anos e também é ala. Estreou neste ano pelo Pinheiros no NBB, e já conseguiu um jogo de 20 pontos, mesmo em apenas oito partidas como profissional. Meses atrás, Edu treinou com Gui nas instações dos Warriors e recebeu elogios de Draymond Green. Fã do irmão mais novo, Gui já declarou diversas vezes que Edu joga melhor que ele, e que em breve também estará nos EUA.

Edu também foi convocado para a seleção brasileira adulta pela primeira vez em 2026. Na época, Gui brincou nas redes sociais: "Chegou mais novo que eu".


Por fim, num clima mais descontraído, a imprensa americana chegou no assunto que mais deve mudar a vida de Gui nos próximos meses: o casamento. O brasiliense está noivo de Julia Lawrenz, também da Capital Federal, e que atualmente joga vôlei de areia pela Universidade do Hawaii.

Pelo tom da resposta, Gui pareceu estar focado demais no basquete nos últimos meses. Agora, porém, terá mais tempo para cuidar dos preparativos do casório.

"Na prática é como se fosse convidado do meu próprio casamento (risos). Não sei de nada ainda, quem sabe de tudo é a Júlia, ela que está fazendo tudo. Ela me mostra as opções e fala 'tenho essa opção e essa opção, qual você prefere?'. Aí eu pergunto 'de qual você gosta mais?'. Aí ela 'Ah, eu gosto dessa'. E eu 'Ah, essa é a melhor, concordo com você'.

É assim que tenho feito, concordo com tudo que ela me mostra. Mas vai ser muito legal, estou animado por isso."