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LeBron James, como você nunca viu: da Nike à amizade com Leonardo DiCaprio, do 'f...' os recordes a Michael Jordan

O Los Angeles Lakers continua sua campanha nos playoffs da NBA contra o Oklahoma City Thunder, no Jogo 1 das semifinais de Conferência Oeste, nesta terça (05), às 21h30 (de Brasília). Enfrentando os atuais campeões, LeBron James tem uma difícil tarefa para executar se quiser aumentar sua campanha pelo status de GOAT (o maior de todos os tempos).

LeBron, que foi draftado em 2003, tem uma extensa carreira na NBA, e hoje é uma das pessoas mais midiáticas do mundo. Suas falas repercutem, todas suas ações são comentadas e suas conquistas e tropeços são comemoradas ou lamentadas por diversas pessoas. Ainda assim, para uma pessoa que vive em frente às câmeras, há muito que não se sabe sobre LeBron.

Oriundo de uma família simples de Akron, Ohio, LeBron hoje coleciona recordes e conquistas na NBA. Ainda assim, muita coisa aconteceu em seus 41 anos de vida sem ser documentada pela mídia.

Buscando resolver isso, Dave McMenamin, especialistas de basquete da ESPN americana, fez uma proposta ousada para o "Rei": LeBron toparia fazer oito entrevistas ao longo de 2026 em cidades diferentes para expor novos lados de sua vida?

A resposta, para surpresa de alguns, foi sim. E agora, o repórter te mostra um lado de LeBron nunca antes visto. O que ele acha de Michael Jordan? Qual seu amigo mais famoso? Qual a origem de seu nome? A temporada ao lado de seu filho foi como ele esperava?

Só uma pessoa é capacitada para responder todas essas perguntas - e até muitas outras. Com o microfone: LeBron James.


Michael Jordan

Pergunta: Na sua opinião mais honesta e franca sobre basquete, o que Michael fazia melhor do que você e o que você faz melhor do que ele?

Resposta: Meu Deus, não me faça começar a falar sobre isso.

P: Não estou perguntando quem é maior. Apenas os aspectos dos seus jogos.

R: Há muitas coisas que MJ fazia melhor do que eu. E acho que há algumas coisas que eu faço melhor do que ele. É assim que o jogo funciona. Você já sabe como essa conversa vai ser [mal interpretada] pelas pessoas, cara.

Acho que sou único. Acho que, pela maneira como jogo, sou um jogador único. E MJ, também. Um jogador de basquete inacreditável. Acho que seu arremesso de média distância era inacreditável. Ele fez tantas coisas incríveis. Eu cresci analisando tudo o que ele fazia. Sua vontade de vencer. Acho que essa é uma característica que todos conhecemos e que todos queríamos ter.

Nunca me comparei ao MJ porque nossos jogos são totalmente diferentes. Eu sempre procurei o passe. MJ meio que procurava o arremesso. Não é que ele meio que fez, ele fez.

Há muitas coisas em que eu diria que meu jogo é bem diferente e um pouco melhor que o dele, mas ele foi incrível. Nós dois somos ótimos jogadores de basquete.

P: Você nos disse que Jordan foi uma das suas motivações quando você era criança, e ele te ajudou a sonhar em chegar à NBA.

R: Eu nunca pensei que poderia ser ele, mas sonhei com a oportunidade de viver a vida dele.

Eu sonhei em poder estar em um grande jogo e fazer a cesta da vitória enquanto o tempo se esgotava. Eu sonhei em ter meu próprio tênis. Eu sonhei em voar pelo ar como ele. Eu sonhava com pessoas gritando meu nome.

Eu nasci em 1984, o ano em que ele entrou na liga. Ele ganhou seu primeiro campeonato em 1991, 1992, e foi nessa época que comecei a assistir basquete e a jogar pela primeira vez. Meu primeiro ano jogando basquete eu tinha 9 anos, então foi em 92. E seu último campeonato foi em 98; isso é um ano antes de eu entrar no ensino médio. E o que ele estava fazendo me inspirou tanto.

P: Tem sido um fardo na vida adulta? Essa ambição? Porque agora, todo mundo menciona isso. Você não pode escapar da comparação.

R: Não. Acho que é uma conversa muito cansativa.

Você pode olhar para nós dois e dizer que ama os dois sem tentar menosprezar a outra pessoa. E geralmente, é em cima de mim.

Mas eu sei com certeza que fiz a minha parte e, mais do que tudo, espero que pelo menos o tenha deixado orgulhoso, vestindo o número 23.


Recordes

P: Quanto a sequência de jogos marcando 10 pontos importa para você, se é que importa?

R: Espero que acabe em algum momento. Estou farto de ouvir as pessoas falarem sobre isso nas arquibancadas. Tipo, até hoje, um cara estava tipo, "Vamos lá, cara, você só fez seis pontos! Você tem que manter a sequência!". Tipo, isso é a última coisa que eu quero ouvir. Estou apenas jogando bola. Não é como se eu estivesse caçando por isso. Não é como se eu estivesse arremessando 15, 20 vezes só para conseguir 10 pontos.

Então, todas as sequências, eu acho, estão destinadas a acabar ou a serem quebradas. Uma das duas. Vamos ver.

P: Você acha que algum dia será superado?

R: Eu nunca posso dizer nunca. Porque, em um ponto, nunca pensamos que o recorde de triplo-duplo de Oscar Robertson poderia ser quebrado. E o Russ fez isso.

Existem alguns recordes por aí que sabemos com certeza que nunca serão quebrados. O recorde de assistências de John Stockton é um número insano, uma margem ampla em relação ao resto de nós. Quase 3.000 a mais do que Magic, CP, J-Kidd, eu mesmo. É loucura. Mas vamos ver.

P: Quais são os registros estatísticos que realmente importam na NBA? Quais são algumas estatísticas que você, quando entrou, achava que eram as mais importantes? E agora que você está nisso há tanto tempo, quais são as estatísticas que te impressionam?

R: Quando eu entrei, pensei, obviamente, que o recorde de pontos era incrível. Nunca pensei que alguém conseguiria alcançar isso, por todos os anos que Kareem [Abdul-Jabbar] jogou.

Eu também achei o recorde de triplo-duplo incrível. Eu pensei que ninguém conseguiria alcançar isso. Quero dizer, obviamente os seis anéis do MJ, eu achei isso bem legal também. Eu achei que MJ fazer um triplete duas vezes foi super legal.


Leonardo DiCaprio

P: Há alguma celebridade com a qual ficaríamos surpresos em saber que você tem uma amizade?

R: Leonardo DiCaprio. Jantei com o Leo no Avra em Beverly Hills, e ele nos contou sobre "Era Uma Vez em... Hollywood" antes de começar a filmá-lo. Isso foi louco. Não me lembro de como nossa conexão começou. Mas eu simplesmente cheguei e o Leo estava lá. E então Al Pacino apareceu também.

P: Você fica nervoso ao conhecer pessoas famosas? Especialmente ao conhecer alguém cujo trabalho foi tão significativo para você?

R: Não chego a ficar deslumbrado. Mas, caramba, [o Pacino] é um dos maiores atores de todos os tempos. Ambos, ele e Leo. E Michael Corleone é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos, na história do cinema. Então, foi mais um momento de "Eu sou de Akron, Ohio.como estou em uma sala com dois dos maiores que já estiveram na tela do cinema?".


Nike

P: Você recebeu muitas críticas após seu primeiro contrato com a Nike antes mesmo de pisar na NBA. Como foi lidar com isso?

R: Foi desafiador. Especialmente para um adolescente de 17 anos, um jovem de 18 anos na época. Mas acho que a melhor coisa é que minha mãe estava do meu lado, meus amigos estavam do meu lado. Eu tinha um bom grupo e um bom sistema de apoio.

Minha mentalidade não era sobre o acordo com a Nike. Meu único foco era melhorar ... e dedicar tempo ao processo de ser grande. Eu sabia do que era capaz. Eu só tinha que continuar trabalhando nisso e, no final, fazer o contrato que assinei parecer uma pechincha.


Aposentadoria

P: Você está pensando na aposentadoria e no que fará para preencher o tempo?

R: Com certeza. Minha esposa vai ter muito tempo comigo porque eu tive que sacrificar não estar com ela porque eu queria ser o maior jogador que já jogou este jogo.

Minha filha, vou passar muito tempo com ela porque passei os primeiros 11 anos da vida dela -- ou 12, quando isso acabar, 13 -- longe dela. Meu filho mais novo está na faculdade.

Minha família merece todo o meu tempo. E depois, eu. Eu também mereço meu tempo. Porque me dediquei tanto a este esporte que ficarei muito feliz quando tudo isso acabar para eu me afastar e me dar um pouco de descanso.


Origem do nome

P: De onde vem o nome LeBron?

R: Era o nome do melhor amigo do meu avô, e minha mãe adorava. Essa é a história. Não pesquisei sobre isso a fundo nem investiguei a origem. Estou deixando muitas coisas para quando eu me aposentar, para descobrir de onde vem muita coisa na origem de toda a minha família. ... Isso é tudo o que sei sobre.


O filho

P: Você e seu filho Bronny jogaram juntos nas últimas semanas, com você até dando uma assistência para ele contra o Brooklyn no mês passado e ele dando uma assistência para você em Dallas. Isso correspondeu ao que você imaginava que seria a temporada?

R: Eu não tinha uma maneira perfeita de como seria aquela primeira assistência para ele. Eu teria adorado que fosse algum tipo de ponte aérea para ele ou dele para mim. Essa é a maneira perfeita. Mas eu não pensei: "Estou predeterminando isso".

O que é importante para mim é o fato de que podemos jogar minutos significativos juntos. Isso é algo que eu visualizei e esperei, e, por causa do progresso dele, estamos fazendo isso agora.


(*Tradução e adaptação: Vinicius Garcia)