O assunto "Neymar e Copa do Mundo" divide opiniões desde o último Mundial, em 2022. Muito por conta das lesões recentes e de toda a pressão que acompanha o maior nome do futebol brasileiro há mais de 15 anos. Mas, se olharmos de forma racional e técnica, Neymar ainda merece estar na Copa de 2026.
Tecnicamente, o jogador de 34 anos não precisa provar nada. Desde sua estreia no futebol profissional, em 7 de março de 2009, pelo Santos, o camisa 10 segue sendo o maior talento revelado pelo futebol verde e amarelo. E talvez isso nem seja mais discutível. Pouquíssimos atletas, no mundo, tiveram a capacidade de fazer o que ele fazia: improviso, criatividade, inteligência e poder de decisão ao longo da carreira. E ainda faz.
Neymar continua sendo um jogador diferente no passe, na leitura de jogo, na capacidade de quebrar linhas de marcação e em algo que o Brasil não tem há muito tempo, que é alguém capaz de decidir partidas grandes pelo talento individual.
A maior dúvida em relação à Copa de 2026 sempre foi física, nunca técnica. Existia a interrogação se Neymar conseguiria voltar a ter sequência, intensidade e condições de suportar jogos. E, aos poucos, esta dúvida foi caindo. Ele voltou a atuar durante os 90 minutos nas partidas pelo Santos, mostrando evolução física, ritmo e confiança.
Obviamente que ele não tem mais a explosão dos tempos de Barcelona ou os arranques absurdos do início da carreira. Mas talvez nem precise. O futebol também mudou.
Além da parte técnica, existem duas coisas que pesam muito em Copa do Mundo, que são personalidade e protagonismo. E isto Neymar sempre teve. Em uma geração brasileira que muitas vezes parece sentir o peso da camisa, ele é um dos poucos jogadores acostumados com estes momentos. Gostem ou não dele, é um atleta que nunca se escondeu em grandes decisões.
A Seleção Brasileira ainda não encontrou um substituto natural para o que Neymar representa. A grande expectativa estava em Estêvão, agora lesionado e fora da Copa, que trazia mais uma vez o diferente, o improviso, coisas que o torcedor brasileiro foi acostumado a ver - e torcer. Existem grandes jogadores, atletas talentosos, mas nenhum reúne tudo aquilo que Neymar entrega quando está em campo. Ele não é apenas um nome midiático. Ele ainda é um jogador capaz de mudar completamente o nível de jogo.
Deixar Neymar, fisicamente bem e em condições competitivas, fora da Copa do Mundo de 2026 seria renunciar a algo que hoje não temos. Jogadores assim não aparecem com frequência. E em torneios curtos como um Mundial, ter alguém capaz de decidir uma partida em um único lance pode ser exatamente a diferença entre cair nas quartas de final ou levantar uma taça. Como ele ia fazendo em 9 de dezembro de 2022, no Qatar, contra a Croácia na prorrogação, mas ainda faltavam três minutos para o fim do jogo.
Neymar já fez o suficiente para entrar na história do futebol brasileiro. Mas a Copa de 2026 talvez represente a última oportunidade de encerrar este ciclo vestindo a camisa da Seleção da maneira que um jogador do tamanho dele merece.
