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Botafogo se manifesta após Tribunal Arbitral afastar Textor do comando da SAF e define Diretor Geral interino

O Botafogo se manifestou oficialmente na madrugada desta sexta-feira (24) sobre a decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas que afastou John Textor do comando da SAF do clube.

Em comunicado, a administração ressaltou que “a medida de afastamento temporário de John Textor da administração da companhia não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes”, e que “a decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas — cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada”.

“A SAF Botafogo ressalta que a observância dos limites objetivos da arbitragem, bem como o respeito à confidencialidade, à autonomia privada e à governança societária, são pressupostos essenciais para a segurança jurídica e a integridade do procedimento arbitral”.

O clube anunciou ainda que Durcesio Mello foi nomeado para ocupar interinamente o cargo de Diretor Geral.

A decisão, que tem caráter imediato, foi tomada pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas após pedido da Eagle Bidco, sócia majoritária da empresa.

O Tribunal Arbitral também determinou o cancelamento da Assembleia Geral Extraordinária marcada para segunda-feira (27).

Veja abaixo, na íntegra, a manifestação do Botafogo:

"A SAF Botafogo tomou conhecimento da ampla divulgação pública de decisão preliminar proferida pelo Tribunal Arbitral, na noite desta quinta-feira (23), a qual, por sua natureza, deveria permanecer sob confidencialidade.

Diante da ampla circulação de trechos da decisão, assim como de informações parciais e descontextualizadas, a SAF Botafogo se vê obrigada a prestar esclarecimentos, exclusivamente para resguardar a correta compreensão dos fatos e a integridade de sua governança.

Sem prejuízo do respeito ao procedimento arbitral, a SAF Botafogo registra que a medida de afastamento temporário de John Textor da administração da companhia não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes.

Adicionalmente, a decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas — cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada.

A SAF Botafogo ressalta que a observância dos limites objetivos da arbitragem, bem como o respeito à confidencialidade, à autonomia privada e à governança societária, são pressupostos essenciais para a segurança jurídica e a integridade do procedimento arbitral.

No entanto, com o objetivo de assegurar a continuidade operacional e a adequada representação institucional da companhia, foi nomeado, em caráter interino, o Sr. Durcesio Mello para exercer a função de Diretor Geral.

A medida se faz necessária para assegurar a adequada representatividade da SAF no âmbito da Recuperação Judicial, junto aos órgãos desportivos competentes e demais instâncias relevantes, bem como para resguardar os interesses da empresa, evitando que eventuais interesses de terceiros se sobreponham aos da SAF Botafogo.

A SAF Botafogo adotará, com a urgência que o caso requer, todas as medidas cabíveis para a revisão da decisão".

Posicionamento de Durcesio Mello, Diretor Geral interino da SAF:

"Fui convocado pelo Conselho de Administração da SAF para dar estabilidade neste momento tão crítico, o que muito me honra. Tive a experiência em fazer a transição do Clube para a SAF, venci a Libertadores e o Brasileirão e ajudei a transformar o BFR.

Os profissionais da SAF seguem normalmente em suas posições, as atividades e rotina do futebol estão preservadas e todos atuando com muita maturidade nesse período. Os atletas estão sendo informados de toda a situação, com transparência e diálogo, e no momento estamos criando as condições para terem foco apenas no jogo de amanhã, contra o Internacional, em Brasília. Vale enfatizar que sou 100% SAF, mas Botafogo acima de tudo"

Recuperação judicial

Nesta quarta-feira (22), a SAF do Botafogo protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro. A ESPN teve acesso à ação, que apresenta um panorama catastrófico das contas do clube.

De acordo com o protocolo enviado ao poder judiciário, o Glorioso tem um passivo total superior a R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões só em dívidas tributárias.

Desse montante, R$ 1,4 bilhão é referente a dívidas "já vencidas ou com vencimento próximo, até o fim do ano de 2026", segundo os documentos apresentados à Justiça.

A situação é tão preocupante que o Botafogo admite que, com o acúmulo de cobranças, não há recursos para quitar nem mesmo a folha sarial do mês de maio.

"As dívidas se avolumam diariamente, seja com fornecedores, outras entidades desportivas e mesmo com funcionários, de modo que não há recursos necessários para o pagamento integral da folha salarial do próximo mês", escreveram os advogados da SAF, que salientam que as execuções podem "inviabilizar a atividade" do clube.

"Diante de inúmeros débitos vencidos ou com vencimento próximos, os ativos da SAF Botafogo suportarão incontáveis ataques de credores, o que poderá resultar em um esvaziamento patrimonial e de fluxo de caixa que inviabilize o exercício da atividade empresarial", ressaltaram.

No pedido, o Glorioso ainda diz que fechou no vermelho em seus três últimos balanços, sendo:

  • 2023: R$ 56 milhões

  • 2024: R$ 300 milhões

  • 2025: R$ 287 milhões

Isso fez com que o patrimônio líquido da SAF chegasse a R$ 427,2 milhões negativos, "se deteriorando de forma acelerada nos últimos três exercícios". Veja abaixo:

  • 2023: -R$ 28,8 milhões

  • 2024: -R$ 174,2 milhões

  • 2025: -R$ 427,2 milhões

"Isso demonstra que as dívidas da SAF Botafogo superam o valor de todos os seus ativos", apontaram os advogados.

Por todos esses fatores narrados, e muitos outros apresentados também no pedido, a SAF alvinegra pediu à 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que "suspenda as execuções e demais medidas de cobrança" contra o Botafogo.

Além disso, pede que a Justiça "proíba qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens" da SAF, "oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos créditos ou obrigações sujeitem-se à futura recuperação judicial".

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