Gerente das categorias de base do Santos desde março deste ano, Elano concedeu entrevista ao GE e abriu o jogo sobre a situação atual de Neymar. Para o ídolo do Peixe, o craque “não está feliz” e diz que os críticos têm “pegado pesado” com o astro desde seu retorno ao Brasil.
“Temos que cuidar um pouco mais do Neymar, porque ele não está feliz. Estão pegando pesado com ele. Acho que em todos os aspectos. Sabemos que ele tem uma visibilidade absurda. Tudo é muito grande. Mas, atrás de tudo, é um ser humano. E ninguém consegue sobreviver tomando tanta pancada todo dia”.
“Chega uma hora que você se deprime. Não está relacionado a dinheiro, ao que ele tem. Ele conquistou jogando futebol. Ele é vencedor, maior artilheiro da Seleção. Ninguém fala mais disso. E a gente bate nele por coisas pequenas. Não é legal pegar tão pesado”, disse Elano.
Com vasta história também na Seleção Brasileira, Elano pediu a convocação de Neymar para a Copa do Mundo e explicou como a ausência do craque no Mundial seria maléfico até mesmo para a imagem do futebol brasileiro.
“Tem um monte de jogador que se comporta como ele e não acontece nada. Com ele, tudo é maior. Agora, se a gente for levantar os jogos, manda alguém fazer uma avaliação das assistências que ele dá, os passes livres que ele coloca alguém para definir uma jogada. Só que essas estatísticas não aparecem”.
“Quando o time perde, o Neymar não rendeu. Quando ele voltou da cirurgia para agora, já respondendo, pode levar para a Copa do Mundo. Pode levar. Em 30 dias, ele vai mudar o espírito, vai mudar o astral, vai se sentir feliz, vai se sentir preparado e do lado daquela galera, ele vai dar resultado”.
“Não converso (com o Neymar). Eu tento ajudá-lo, quando encontro. Não tenho nenhum relacionamento fora de campo com ele. Devido a correria de trabalho, família, as coisas dele. Mas, cara, eu acho que seria um desperdício para o país não ter o Neymar na Copa. O Brasil pode perder ou ganhar a Copa com ele ou sem ele, mas, para a imagem do futebol brasileiro, não seria bom sem ele”.
Para Elano, o astro precisou se sacrificar durante a reta final de 2025 para ajudar o Santos a permanecer na primeira divisão e como a mudança de função de Neymar também tem impactado no jogo do craque.
“Ele veio de uma cirurgia de joelho. Não é simples. Agora sim, agora está ficando. Ele não conseguiu seguir o seu cronograma, porque o Santos passou por uma situação de quase rebaixamento que não era simples e ele precisou jogar. Só jogou por necessidade”.
“Jogou pouco, mas fez até demais por aquilo que estava pronto para fazer. Quando ele chegou no Santos, era outro. Teve que acelerar tudo porque o Santos precisava dele. Agora, fez jogos em sequência. E de alto nível. Construiu jogadas, deu passes, assistência”.
“Às vezes, vocês começam a analisar o Neymar como extrema. Ele fazia 15 jogadas de feito por jogo e três eram gol. Agora, ele é camisa 10. Toca pouco na bola, coloca os caras na cara do gol e vai se adaptando na função”, explicou, apontando que os recentes problemas de Neymar nos joelhos também impactaram em seu desempenho.
“Eu não acho 100% isso, eu acho que ele já está há muito tempo em uma adaptação, mas que o problema para se adaptar de verdade é uma lesão. Não é a posição em si. São duas lesões no joelho, ligamento e menisco. Isso para um cara que gira em torno de si mesmo”.
“Hoje, ele já está mais solto, começando a dar uma caneta, coisa que ele não fazia. Já está começando a chapar. Antes, ficava com medo porque estava inseguro. Ele nunca me falou isso, mas eu percebia. É uma análise minha, conhecendo ele. Então, ele já está fazendo coisas”.
“Sobre a Seleção, ele tem um período de preparação de 30 dias junto com os caras para jogar. Não vai jogar, só vai treinar. Vai melhorar sua parte física, vai estar com a cabeça melhor”, finalizou.
Próximos jogos do Santos:
Palmeiras (F) - 02/05, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
Deportivo Recoleta (F) - 05/05, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana, ao vivo no plano premium do Disney+
Bragantino (C) - 10/05, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
