Guardiola no City: lista de 10 jogadores marcantes do técnico vai de único brasileiro capitão a 'filho preferido'

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Guardiola fez o maior trabalho de sua carreira no Manchester City? Mário Marra analisa a passagem do treinador na Premier League; VEJA (1:14)

“Pep é o motivo que me fez assinar com o Manchester City”.

Quantas vezes um jogador usou essa ou outra frase parecida logo na chegada ao Etihad Stadium? Certamente na maioria, para não dizer em todas as oportunidades.

Jogar sob comando de um dos maiores técnicos da história era um privilégio impossível de recusar. Apesar das críticas por ser rígido demais e colocar seus atletas em uma "camisa de força", a verdade é que Guardiola faz o contrário: abre os olhos de quem dirige para um mundo pouco habitado e desbloqueia capacidades que poucos enxergam.

A fórmula dá certo com todos? Óbvio que não. Mas quem a saboreia ganha superpoderes e se transforma. Joga como ninguém esperava que jogasse; brilha como jamais pensou em brilhar; atinge um patamar que nem sabia ser possível.

No adeus de Guardiola ao Manchester City, o ESPN.com.br lista abaixo os 10 jogadores que mais representam o que foi a década de Pep na Inglaterra. A escolha dos nomes e ordem do ranking são subjetivas.

10 - Fernandinho

"Fernandinho é muito melhor (do que eu era). Poucos jogadores podem fazer o que ele faz. A maioria das coisas que alcançamos é graças a esse cara. Por todos os anos que estivemos juntos, ele é incrível".

Já vivia em Manchester quando Guardiola assumiu o City, em julho de 2016. Só não imaginava que, nas mãos do novo chefe, se tornaria um outro tipo de jogador e o único brasileiro a ser capitão de um time dirigido por Pep.

Fernandinho foi pilar central da reconstrução do City a partir de 2017. Para encaixar um time com De Bruyne, David Silva e mais um trio de ataque, Guardiola precisava do brasileiro como volante único, uma função em que ele arrebentou com marcação, inteligência e precisão nos passes.

O camisa 25 aos poucos foi perdendo espaço no time para Rodri, mas ainda chegou a ser usado como zagueiro, para melhorar a saída de bola, ou na função de líder do elenco, mesmo na reserva. Deixou saudades na torcida e formou, com louvor, o seu sucessor.

9 - Foden

"Phil é incrível. Quando está inspirado, é um presente e um diamante que temos. Um dos melhores jogadores que temos em pequenos espaços e no terço final, de longe".

O garoto nascido na base do Manchester City que mais encantou Guardiola nesses dez anos. Enquanto abriu mão de vários garotos que não pôde utilizar, o técnico lapidou Foden para se tornar uma estrela.

O plano deu certo. De aluno pouco utilizado até 2019, ganhou as primeiras chances após a saída de David Silva e, com habilidade, versatilidade e inteligência, firmou-se como um titular necessário.

O auge da parceria foi em 2023/24, quando Foden assumiu o protagonismo e ajudou o City a ganhar o tetra seguido da Premier League sendo eleito o melhor jogador da temporada. Caiu de rendimento depois, mas manteve a moral com o chefe.

8 - Haaland

"Erling é um atacante excepcional, já disse isso muitas vezes. Mas, na idade que ele está, e pela ambição que tem, quer sempre ser um jogador melhor, então acredito que ele será. É um cara perfeito para dirigir, uma pessoa legal, o que é o mais importante".

Como Haaland vai dar certo no City se Guardiola odeia centroavante? A fama criada desde o fracasso de Ibrahimovic no Barcelona levantou dúvidas, mas que não se justificaram.

Em quatro anos de parceria, a máquina de quebrar recordes se mostrou a cereja que faltava no bolo muito bem confeitado do City. Com Haaland, Guardiola trocou o esquema com um falso 9 para apostar em um goleador mais do que verdadeiro. Um 9 letal.

Haaland foi o grande nome da Tríplice Coroa ganha em 2023, com a sonhada Champions League, e acabou com os argumentos de quem dizia que Pep odiava centroavantes natos. Com o norueguês, foi um caso de amor que arrebatou os Citizens e aterrorizou os adversários Europa afora.

7 - Sterling

"Raheem merece todos os créditos. É um cara muito forte, com um físico incrível. No dia seguinte, ele é até capaz de jogar outra partida, porque tem uma recuperação ótima. Pode jogar nos dois lados, é rápido e nos ajuda defensivamente. É um jogador extraordinário".

Era somente um atacante veloz e marcado pela tomada errada de decisões quando apertou a mão de Guardiola pela primeira vez. Demoraram alguns meses, mas o técnico foi responsável por uma tremenda evolução que fez Sterling ser até mesmo cotado para a Bola de Ouro da France Football.

Em seis temporadas sob a direção do espanhol, Raheem atuou como ponta pela direita, aprendeu a jogar do lado contrário e também executou a famosa posição de falso 9, sendo importante em quatro conquistas de Premier League e outros muitos títulos nacionais.

A evolução foi tão grande que Sterling é, até hoje, o quarto jogador que mais marcou gols com Guardiola: 120, atrás de Sergio Agüero, Haaland e, claro, Lionel Messi. A importância de Pep foi tão grande que o atacante, ao deixar o City, jamais foi o mesmo por Chelsea, Arsenal e agora Feyenoord.

6 - Ederson

"Disse muitas vezes, em todos esses anos que estamos juntos, que seria impossível visualizar o sucesso que tivemos sem ele. Não podemos ter um goleiro melhor que Eddie. Ele encaixa perfeitamente na nossa maneira de jogar".

Jogar da maneira que Guardiola gosta é um desafio imenso para algumas posições. A de goleiro, pela exigência de jogar tão bem com os pés quanto com as mãos, é uma delas. O técnico apostou em Claudio Bravo no primeiro ano, mas, depois de várias falhas, foi buscar um brasileiro no Benfica.

Ederson revolucionou a maneira do Manchester City jogar e virou peça central do sucesso da equipe que ganhou todos os títulos possíveis e imagináveis. Um goleiro tão bom na distribuição de passes que deu a Guardiola a vantagem de praticamente ter outro jogador de linha para rodar a bola.

Ao deixar o City em setembro passado, Ederson deixou na memória lançamentos primorosos e assistências para Haaland, Agüero, Gundogan e Marmoush. Mas, como bom goleiro, também ajudou com defesas decisivas, como as que garantiram o título da Champions League. Guardiola não poderia ter alguém melhor.

5 - Gundogan

"O que eu poderia dizer? É difícil de acreditar no quão bom ele é. Um jogador excepcional, que pode atuar em diferentes posições, de volante até meia-atacante. Ele nos deu a Premier League".

Abre o top 5 de jogadores mais marcantes da história de Pep Guardiola no Manchester City, mas poderia estar mais acima, tamanha a inteligência e capacidade de adaptação ao estilo do time, somada à liderança no vestiário e a cumplicidade com o técnico por longos anos.

Ilkay Gundogan foi o primeiro reforço de Guardiola no City. Também tornou-se vizinho do técnico. Em campo, o ajudou pela versatilidade de atuar como meia central, falso 9 e até mesmo volante de marcação, posição que, erradamente, ocupou na final da Champions League perdida em 2021.

Os dois deram a volta por cima juntos. Foi de Gundogan o gol da improvável virada contra o Aston Villa que rendeu o título inglês de 2021/22. Como capitão, o meia também levantou os troféus da Tríplice Coroa, com Premier League, Copa da Inglaterra e Champions League. Era a extensão de Pep em campo.

4 - De Bruyne

"Sempre toma a decisão certa em todas as jogadas. Ele é um dos melhores jogadores com que já trabalhei. Quando a gente fala do Messi, ele está numa mesa só dele. Não é permitido mais ninguém ali. Mas na mesa ao lado, o Kevin (De Bruyne) pode se sentar".

Já era jogador do City quando Guardiola chegou. Histórias não confirmadas até dizem que o técnico nem fez tanto esforço para tê-lo no Bayern de Munique, um ano antes, pois sabia que um dia dirigiria a equipe de Manchester e teria seu talento à disposição.

Se isso é verdade ou não, pouco importa para a torcida do City, que teve o privilégio de ter o melhor técnico do mundo e o meia mais criativo do planeta lado a lado por nove temporadas, que garantiram troféus, prêmios individuais e momentos absolutamente inesquecíveis.

Kevin de Bruyne foi o maior representante do City de Guardiola por quase uma década. Seus passes brilhantes, as assistências às vezes difíceis de explicar e sobretudo a inteligência de ler o jogo que era necessário fazer o colocaram no patamar de um dos maiores meias de todos os tempos. Pep, claro, tem muito a ver com isso.

3 - Rodri

"O Rodri vai ser um jogador incrível para nós. Não tem brincos e nem tatuagens, e o cabelo é de um meio-campo. Um volante deve ser assim e não pensar no resto".

Esqueça a polêmica disputa com Vinicius Jr. em 2024 e pense no seguinte: como Guardiola conseguiu fazer um volante de marcação, praticamente sem marketing pessoal, ganhar a Bola de Ouro como melhor jogador do mundo?

Certamente nem Rodri esperava tanto quando trocou o Atlético de Madrid pelo City, em 2020. O alvo prioritário era Jorginho, hoje no Flamengo, mas a aposta no espanhol se mostrou a mais acertada. A adaptação não foi fácil, nem rápida, mas, quando o clique aconteceu, o efeito foi imenso.

Autor do gol que deu o título europeu ao City, Rodri chegou a ficar 74 partidas sem perder pelo clube. Um soldado que sabia fazer o jogo sujo da marcação e aparecer no ataque para brilhar. A lesão sofrida em 2024 criou um buraco que só sua volta foi capaz de reparar.

2 - Stones

"Existem poucos atletas que não poderíamos imaginar nosso sucesso sem. John é um deles. Foi o melhor jogador de longe da final da Champions League, o que mostra sua personalidade. Sua contribuição ao time foi enorme. Com ele saindo, uma parte de mim também está saindo".

A quem estranhar a presença de um zagueiro entre os jogadores mais influentes da carreira do ofensivo Guardiola em Manchester, aqui vai uma dica para entender: John Stones é tudo, menos só um zagueiro.

Aos que duvidam, basta assistir à final da Liga dos Campeões de 2023, quando o inglês foi o melhor em campo atuando tipicamente como um camisa 8. Foi quem fez o time funcionar naquela noite em Istambul e saiu reverenciado pela torcida como o "Beckenbauer de Barnsley", cidade em que nasceu na Inglaterra.

Stones poderia ter sido muito maior. As lesões, que o tiraram de quase uma centena de jogos ao longo dessa década no City, minaram um talento que Guardiola sempre adorou e valorizou. Vai entrar para a história como o zagueiro mais talentoso que Pep treinou. Uma conquista imensa para quem é mais que um zagueiro.

1 - Bernardo Silva

"Se eu falar muito, vou chorar. Muito obrigado em nome deste clube pelo que você fez. Ele prova que o futebol começa aqui [na mente] e vai até os pés. Esse jogador não é o mais rápido, mas sabe, a cada momento, o que é necessário. Ele está sempre comprometido e nunca se lesiona. Merece o maior reconhecimento".

A frase acima diz absolutamente tudo que você precisa saber sobre a relação entre um técnico e um jogador. Bernardo Silva tornou-se o "filho predileto" de Guardiola desde que o técnico autorizou o City a tirá-lo do Monaco, após ser vítima dele na Champions de 2017.

O português chegou a Manchester e encontrou o ambiente mais propício para brilhar. Foram 20 títulos juntos, sempre com Bernardo em campo - ainda que não entre os protagonistas. Ele foi meia, atacante, falso 9, volante, até lateral-esquerdo e zagueiro. Faltou só ser goleiro, o que a altura impediria.

Bernardo deixa o City como o jogador que mais atuou sob comando de Guardiola. Também o que mais venceu. O que foi mais campeão. O que menos se ausentou por lesão. O preferido de um técnico obcecado pela perfeição e que encontrou, em um franzino português, tudo que sempre quis.